Temos coisas demais?

 Com a globalização e a popularização da internet, nunca antes na história da humanidade, tivemos acesso a tantos bens e serviços. Tudo que você desejar está a um click de ser seu (se você puder pagar por isso, é claro). Toda essa facilidade trouxe muita conveniência para as nossas vidas, mas ao mesmo tempo trouxe muito excesso! Temos coisas demais! Roupas demais, streamings demais, aplicativos demais e no meu caso, jogos demais. As redes sociais só agravam o problema, mostrando tendências de moda, o que todo mundo está assistindo, jogando, comendo… E aí, sem que percebamos, já estamos com a síndrome de FOMO, sigla em inglês para “fear of missing out”, ou “medo de estar perdendo algo”, em uma tradução livre. É o medo que temos de estar perdendo boas experiências que as outras pessoas estão tendo, de “estar por fora”. Você é “obrigado” a assistir ao filme do momento, jogar aquele lançamento cotado para ser o jogo do ano, e usar a roupa da moda. Se negar a acompanhar as tendências o torna “inapropriado”. O problema é que o dia tem 24 horas para todos, e quando você escolhe fazer uma coisa, automaticamente você escolhe abrir mão de muitas outras coisas. O excesso de opções, ao invés de lhe trazer alegrias, na verdade lhe traz mais ansiedade, afinal ninguém quer perder duas horas da sua vida assistindo a um filme “legal”, quando você poderia ter assistido a um filme “extraordinário”, e justamente por esse sentimento, temos mais dificuldade de nos conectarmos no momento atual e nos preocupamos demais com o que estamos “perdendo”.

Em casa, por exemplo, minha família é composta por três pessoas. Eu, minha esposa Juliana e minha filha Mariana. Uma das nossas tradições, é jantar juntos na mesa todos os dias. Além de ser um momento essencial, por conta da nossa alimentação e manutenção da nossa saúde, aproveitamos essa ocasião para passarmos algum tempo juntos conversando, debatendo os acontecimentos do dia. Tudo sem distrações ou aparelhos eletrônicos. É um momento só nosso, e que não abrimos mão. Após o jantar, normalmente tiramos um tempo para o lazer. Nós três adoramos assistir TV, assistimos à programas dos mais variados gêneros, e no pouco tempo livre que temos, entre o trabalho, deveres de casa e compromissos com os estudos, gostamos de dedicar um tempo para assistirmos as nossas séries preferidas (às vezes juntos, e às vezes individualmente), e é aí que entra o “X” da questão: Nós assinamos quatro serviços de streaming, QUATRO! E acredite, é preciso muito esforço para três pessoas dar conta do conteúdo de quatro streamings. Quando eu volto a minha atenção para os games, a situação é ainda pior. Um único jogo pode levar algumas centenas de horas para ser finalizado, o toda essa dedicação de tempo em apenas um game, lhe impede de curtir os demais jogos. Serviços como o game pass (que oferece centenas de jogos ao custo de uma assinatura mensal), escolhe os jogos por você, que experimenta um pouco de tudo, mas não se aprofunda em  quase nada. 

Mencionei alguns exemplos de serviços, mas esse comportamento se expande para a compra de quase tudo que você imaginar.


Ok, temos coisas demais. Então, o que fazer?


Antes de continuar, gostaria de deixar claro que contratar serviços de assinatura e comprar coisas não é errado. Muito pelo contrário! A questão aqui é a relação que nós temos com tudo isso, e contanto que você encontre significado nas suas escolhas, vá em frente!

Enfim, eu mesmo estou em uma jornada de descobertas sobre esse tema, e não tenho a fórmula mágica do sucesso. O que trago a partir de agora são pensamentos que venho trazendo ao longo do tempo baseado na minha própria experiência.


1- Foque nas suas escolhas.


O que é importante para você? Pense nas coisas que realmente trazem significado para a sua vida e foque nelas. Não se preocupe com o julgamento dos outros ou com o que está na moda. O importante é você se sentir bem com as suas escolhas, sejam elas alinhadas com o que está em alta ou não.


2- Compre (ou contrate) apenas o que consegue consumir.


De que adianta você ter dezenas de calças jeans e camisetas, se você trabalha de segunda a sexta de social? Ou porque assinar vários serviços que você mal consegue usufruir? Durante muito tempo fui assinante de tv paga, com centenas de canais, quando na verdade eu mal assistia um ou dois deles. Consuma com sabedoria, e não seja consumido por escolhas ruins.


3- Mude aos poucos e respeite os hábitos das pessoas que vivem com você.


Se você chegou até aqui, provavelmente está em uma jornada de mudança na sua vida. Mas mudanças nunca são fáceis. Vá mudando aos poucos, respeitando os seus próprios limites. É melhor uma mudança lenta e duradoura do que uma rápida e passageira. Além da sua luta interior para adquirir hábitos de consumo mais saudáveis, você tem que levar em consideração que as pessoas que vivem com você podem ter pensamentos diferentes, e não necessariamente precisam estar na mesma página que você. Converse com eles, e mostre como as suas decisões estão impactando positivamente a sua vida, e respeite caso eles pensem diferente. 


4- Seja grato pelo que você tem.


Normalmente o excesso vem pela busca incessante por mais. Quando focamos muito no que não temos, não usufruímos das coisas que temos. Seja grato pelas coisas que você já tem e certifique-se que cada um dos seus pertences tragam valor para a sua vida. Se você está se sentindo consumido pelos seus pertences, vá se libertando deles aos poucos.


5- Se livre do excesso.


Se você chegou a conclusão de que tem coisas demais, e que vai se livrar de alguns pertences, aproveite a oportunidade para vender, doar e em alguns casos, jogar fora os seus excessos. Se for vender, só tome cuidado para não supervalorizar os seus pertences. Eles normalmente valem menos do que imaginamos. No caso de roupas, faça doações para instituições de caridades ou para pessoas carentes. Os itens que você perceber que são invendáveis ou não podem ser doados, podem ser considerados lixo, então simplesmente agradeça e jogue-os fora.


Finalizando…


É a primeira vez que escrevo sobre o que penso nessa minha jornada pela vida onde me sinto verdadeiramente um mero aprendiz.

Espero que este texto traga algum valor para a sua vida, e por favor, sinta-se à vontade de usar a sessão de comentários. Até breve!


Marcelo Machado - Pai, esposo e gamer nas horas vagas.

Comentários

  1. Gostei demais desse texto, não somente pela sabedoria contida nessas reflexões, mas pela maneira respeitosa e humilde com a qual as suas percepções sobre esses fatos da vida moderna são compartilhadas.

    Me sinto sufocado pelos excessos das coisas que tenho e pelo excesso de opções também. Aliás, me sinto sufocado pelo excesso de tudo, principalmente pelo excesso de trabalho.

    Só o tempo, que permanece escasso (para as coisas que realmente gosto e tem significado pra mim).

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